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Habituados à cidade, ignoramos, como homens desta época, todas as formas da Natureza. Somos incapazes de reconhecer uma árvore, uma planta, uma flor. Os nossos avós, por mais pobres que fossem, tinham sempre um jardim ou uma horta, e aprendiam sem esforço os nomes da vegetação. Agora, em repartições ou hotéis, não vemos senão flores pintadas, naturezas mortas ou essas raquíticas plantas de vaso que parecem ter sido semeadas por cabeleireiros."
Julio Ramón Ribeyro
«Prosas Apátridas»
Edições Ahab/Porto
Histórias curtas, pequenos comentários, pequenos poemas - meios de libertar "pressão", que passa a ser... "EX-PRESSÃO".
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15 de junho de 2011
13 de junho de 2011
QUANDO O MAR ?
O rio corre
para cá
depois para lá
de novo para aqui.
Desempregado de si
sem água nem barcos
não corre não passa
como um rio.
Há gaivotas que passam
em voos diversos
sobre o rio que corre
(amarrado às margens).
Mas, quando o mar ?
para cá
depois para lá
de novo para aqui.
Desempregado de si
sem água nem barcos
não corre não passa
como um rio.
Há gaivotas que passam
em voos diversos
sobre o rio que corre
(amarrado às margens).
Mas, quando o mar ?
11 de junho de 2011
CITAÇÃO XVI
" Contudo é mais fácil rasgar cortinas de ferro do que de incenso. O ferro enferruja e perde coesão e o incenso continua a pairar no ar, mesmo depois de queimado."
Horácio Neto Fernandes
«A construção e a desconstrução de um padre»
Papiro Editora
Horácio Neto Fernandes
«A construção e a desconstrução de um padre»
Papiro Editora
8 de junho de 2011
PRESENTE (apenas) INDICATIVO
Eu governo(-me)
Tu governas(-te)
Ele governa(-se)
Nós governamo(s)(-nos)
Vós governais(-vos)
Eles governam...
...as suas coisinhas...
Tu governas(-te)
Ele governa(-se)
Nós governamo(s)(-nos)
Vós governais(-vos)
Eles governam...
...as suas coisinhas...
6 de junho de 2011
ELEIÇÕES / RESULTADOS
Houve 1 terramoto !!
Haverá 1 governo de 2,
sujeito a 3.
Soma 7. Bonito número...
Haverá 1 governo de 2,
sujeito a 3.
Soma 7. Bonito número...
4 de junho de 2011
ELEIÇÕES
Amanhã é dia de eleições para a Assembleia da República.
Vou passar o dia de hoje sentado em frente ao espelho a reflectir(-me)... que... "a coisa aqui está preta".
Vou passar o dia de hoje sentado em frente ao espelho a reflectir(-me)... que... "a coisa aqui está preta".
3 de junho de 2011
FÉRIAS
-Gosto muito desta música.
-Que "giro"! É "giríssimo". Olha, minha querida, isto faz-me lembrar as férias do ano passado. Tinha assim um anfiteatro como este aqui, mas mais velho, muito mais velho. "Velhérrimo". Estava calor, um calor de fim de tarde, que não queiras saber! Estava-se muito bem. A música baixinho... baixinho. E pessoas, muitas pessoas. "Giríssimo"! Havia umas senhoras com leques...
-E foi onde?
-Olha, querida, nem eu sei bem. Ou, quer dizer, sei, talvez saiba ou, pelo menos, o Paulo sabe. Foi ele que reservou hotel, comprou bilhetes de avião, visitas, passeios... tudo. Tu sabes como ele é organizado. Mas, como te dizia, estava quentíssimo, mas muito agradável. E, nesse fim de tarde... desse dia, ai, querida, nem te digo! Ainda fiz umas fotografias ao anfiteatro, mas, como tu sabes, eu sou uma "tótó" com tudo o que são máquinas. Não estão grande coisa.
-Mas não te lembras onde foste?
-Ai filha, que "chata"! Sei lá! Olha, toda a gente falava inglês. Até o guia. Ah! espera aí, lembro-me que era uma ilha. Mas era uma ilha grande. Devia ser grande, porque não se via o mar à volta. O hotel era à beira-mar. Tu sabes como o Paulo adora o mar. E, de tantas voltas e visitas pela ilha, nunca vi o mar do outro lado. Portanto, era uma ilha muito grande.
-E tu não te preocupaste em saber o nome da ilha?
-Que "chata"!! Que interesse tem isso? As férias foram extraordinárias e do que me lembro com mais gosto é do fim de tarde nesse anfiteatro, do calorzinho e da música.
-Do nome da ilha não?
-Que "chata" que tu estás!! Ah! e o hotel! Era extraordinário!! Se quiseres saber mais fala com o Paulo.
-Que "giro"! É "giríssimo". Olha, minha querida, isto faz-me lembrar as férias do ano passado. Tinha assim um anfiteatro como este aqui, mas mais velho, muito mais velho. "Velhérrimo". Estava calor, um calor de fim de tarde, que não queiras saber! Estava-se muito bem. A música baixinho... baixinho. E pessoas, muitas pessoas. "Giríssimo"! Havia umas senhoras com leques...
-E foi onde?
-Olha, querida, nem eu sei bem. Ou, quer dizer, sei, talvez saiba ou, pelo menos, o Paulo sabe. Foi ele que reservou hotel, comprou bilhetes de avião, visitas, passeios... tudo. Tu sabes como ele é organizado. Mas, como te dizia, estava quentíssimo, mas muito agradável. E, nesse fim de tarde... desse dia, ai, querida, nem te digo! Ainda fiz umas fotografias ao anfiteatro, mas, como tu sabes, eu sou uma "tótó" com tudo o que são máquinas. Não estão grande coisa.
-Mas não te lembras onde foste?
-Ai filha, que "chata"! Sei lá! Olha, toda a gente falava inglês. Até o guia. Ah! espera aí, lembro-me que era uma ilha. Mas era uma ilha grande. Devia ser grande, porque não se via o mar à volta. O hotel era à beira-mar. Tu sabes como o Paulo adora o mar. E, de tantas voltas e visitas pela ilha, nunca vi o mar do outro lado. Portanto, era uma ilha muito grande.
-E tu não te preocupaste em saber o nome da ilha?
-Que "chata"!! Que interesse tem isso? As férias foram extraordinárias e do que me lembro com mais gosto é do fim de tarde nesse anfiteatro, do calorzinho e da música.
-Do nome da ilha não?
-Que "chata" que tu estás!! Ah! e o hotel! Era extraordinário!! Se quiseres saber mais fala com o Paulo.
30 de maio de 2011
ELEIÇÕES / CAMPANHA ELEITORAL II
Vêm uns, de uma cor, e berram: VIVA PORTUGAL !
Mas outros, de outra cor, também entendem berrar: VIVA PORTUGAL !
Chegam uns terceiros, de cor diferente e: VIVA PORTUGAL !
Passam, entretanto, outros de cor diversa de todos os outros e, também, a plenos pulmões: VIVA PORTUGAL!
É fácil concluir que o PORTUGAL que eles querem é um PORTUGAL pintado da sua própria cor.
SUGESTÃO:
Berrem: - Viva Portugal Castanho! Viva Portugal Creme! Viva Portugal Roxo! Viva Portugal Lilás!
Assim,depois dos resultados das eleições, fácil será concluir de que cor vão tentar pintar Portugal (à sua imagem e semelhança).
Mas outros, de outra cor, também entendem berrar: VIVA PORTUGAL !
Chegam uns terceiros, de cor diferente e: VIVA PORTUGAL !
Passam, entretanto, outros de cor diversa de todos os outros e, também, a plenos pulmões: VIVA PORTUGAL!
É fácil concluir que o PORTUGAL que eles querem é um PORTUGAL pintado da sua própria cor.
SUGESTÃO:
Berrem: - Viva Portugal Castanho! Viva Portugal Creme! Viva Portugal Roxo! Viva Portugal Lilás!
Assim,depois dos resultados das eleições, fácil será concluir de que cor vão tentar pintar Portugal (à sua imagem e semelhança).
27 de maio de 2011
CITAÇÃO XVI
" O SERTANEJO FALANDO
A fala a nível do sertanejo engana:
as palavras dele vêm, como rebuçadas
(palavras confeito, pílula), na glace
de uma entonação lisa, de adocicada.
Enquanto que sob ela, dura e endurece
o caroço de pedra, a amêndoa pétrea,
dessa árvore pedrenta (o sertanejo)
incapaz de não se expressar em pedra.
2
Daí porque o sertanejo fala pouco:
as palavras de pedra ulceram a boca
e no idioma pedra se fala doloroso;
o natural desse idioma fala à força.
Daí também porque ele fala devagar:
tem de pegar as palavras com cuidado,
confeitá-las na língua, rebuçá-las;
pois toma tempo todo esse trabalho."
João Cabral de Melo Neto
«A educação pela pedra»
(OBS.: Não estaria o Autor pensando também no alentejano?...)
A fala a nível do sertanejo engana:
as palavras dele vêm, como rebuçadas
(palavras confeito, pílula), na glace
de uma entonação lisa, de adocicada.
Enquanto que sob ela, dura e endurece
o caroço de pedra, a amêndoa pétrea,
dessa árvore pedrenta (o sertanejo)
incapaz de não se expressar em pedra.
2
Daí porque o sertanejo fala pouco:
as palavras de pedra ulceram a boca
e no idioma pedra se fala doloroso;
o natural desse idioma fala à força.
Daí também porque ele fala devagar:
tem de pegar as palavras com cuidado,
confeitá-las na língua, rebuçá-las;
pois toma tempo todo esse trabalho."
João Cabral de Melo Neto
«A educação pela pedra»
(OBS.: Não estaria o Autor pensando também no alentejano?...)
24 de maio de 2011
NOS 70 ANOS DE BOB DYLAN...
...aquele que cantou "The times are a-changin'", donde são retiradas as seguintes passagens:
« (...)
For the loser now
will be later to win.
For the times are a-changin'
(...)
Your old road is
rapidly aging.
Please get of the new one
if you can't lend your hand.
For the times are a-changin'
(...)
And the present now
will later be past
the order is
rapidly fading
And the first one now
will later be last.
For the times are a-changin'».
---
Mais de 400 anos antes, Camões (que não consta que cantasse) tinha escrito um soneto, que começa com a seguinte quadra:
« Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades
Muda-se o ser, muda-se a confiança
Todo o mundo é composto de mudança
Tomando sempre novas qualidades.
(...).»
---
Outro cantor/compositor, este português (José Mário Branco), nos anos setenta do séc. XX, glosando esse soneto de Camões, acrescentou-lhe e cantou (também) o seguinte:
«(...)
e se todo o mundo é composto de mudança
troquemos-lhe as voltas
qu'inda o dia é uma criança.
(...).»
Será que o DIA (agora) é, ainda, uma criança??
« (...)
For the loser now
will be later to win.
For the times are a-changin'
(...)
Your old road is
rapidly aging.
Please get of the new one
if you can't lend your hand.
For the times are a-changin'
(...)
And the present now
will later be past
the order is
rapidly fading
And the first one now
will later be last.
For the times are a-changin'».
---
Mais de 400 anos antes, Camões (que não consta que cantasse) tinha escrito um soneto, que começa com a seguinte quadra:
« Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades
Muda-se o ser, muda-se a confiança
Todo o mundo é composto de mudança
Tomando sempre novas qualidades.
(...).»
---
Outro cantor/compositor, este português (José Mário Branco), nos anos setenta do séc. XX, glosando esse soneto de Camões, acrescentou-lhe e cantou (também) o seguinte:
«(...)
e se todo o mundo é composto de mudança
troquemos-lhe as voltas
qu'inda o dia é uma criança.
(...).»
Será que o DIA (agora) é, ainda, uma criança??
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