"Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
muda-se o ser, muda-se a confiança,
todo o mundo é composto de mudança
tomando sempre novas qualidades.
Cotinuamente vemos novidades
diferentes em tudo da esperança
(...)"
CAMÕES
--------
As coisas vêm mudando muito a Oriente.
E como estão mudando a Ocidente!
- Para quando a implosão da China?
Histórias curtas, pequenos comentários, pequenos poemas - meios de libertar "pressão", que passa a ser... "EX-PRESSÃO".
Pesquisar neste blogue
7 de agosto de 2011
5 de agosto de 2011
CIDADE GRANDE
A Cidade Grande é um arquipélago formado por ilhas de solidão.
(Pois sim, mas naquela ilha do norte - que não era de solidão - morreram quase cem, de "morte matada", sem culpas nem razão).
(Pois sim, mas naquela ilha do norte - que não era de solidão - morreram quase cem, de "morte matada", sem culpas nem razão).
CITAÇÃO XXII (As decisões a tomar)
"(...)
A aceleração do momento faz-nos esquecer que as decisões urgentes dificilmente são grandes decisões. Discutimos o projecto da casa ou apenas a cor dos azulejos da cozinha? Estamos a assistir a uma destruição ou a uma construção? E discutimos com quem? Com bombeiros ou com construtores civis? Discutimos entre nós e com outros ou discutimos entre nós enquanto outros discutem sobre nós? Discutimos entre nós a cor dos azulejos enquanto outros discutem o projecto da nossa casa? E a casa será habitável?
(...)"
Boaventura de Sousa Santos
«PORTUGAL
Ensaio contra a autoflagelação»
(Prefácio)
ALMEDINA - Coimbra
Maio de 2011
A aceleração do momento faz-nos esquecer que as decisões urgentes dificilmente são grandes decisões. Discutimos o projecto da casa ou apenas a cor dos azulejos da cozinha? Estamos a assistir a uma destruição ou a uma construção? E discutimos com quem? Com bombeiros ou com construtores civis? Discutimos entre nós e com outros ou discutimos entre nós enquanto outros discutem sobre nós? Discutimos entre nós a cor dos azulejos enquanto outros discutem o projecto da nossa casa? E a casa será habitável?
(...)"
Boaventura de Sousa Santos
«PORTUGAL
Ensaio contra a autoflagelação»
(Prefácio)
ALMEDINA - Coimbra
Maio de 2011
3 de agosto de 2011
ECONOMIA
A eco...no...mia? Não mia?! Mia, mia... e faz miar muito!!!
(Basta estarmos um pouco atentos e ouviremos os variadíssimos "miaus" - nacionais, europeus e intercontinentais).
(Basta estarmos um pouco atentos e ouviremos os variadíssimos "miaus" - nacionais, europeus e intercontinentais).
AMOR À PRIMEIRA... TRAVAGEM
Ele seguia sentado, ocupando um lugar do Metro, com as costas no sentido do movimento. Olhar vago, pensando em tudo e em nada.
Entrou uma jovem e sentou-se no único lugar vago, mesmo à sua frente. Fixou-a. Tentou ser discreto, mas não conseguiu. Apreciou-lhe as orelhas, os lábios, o traço do nariz, mas, principalmente, o pescoço.
O cabelo puxado para a nuca permitia ver o desenho do pescoço desde a parte posterior das orelhas, seguindo rosado, fino, firme, enxuto, alargando-se suavemente quando alcançava os ombros.
Quando desviou o olhar pareceu-lhe que ela o observou, interrogativa. Fixou-a de novo. Ela, de cabeça bem levantada, pescoço (sempre o pescoço!) nervoso e firme, olhava no sentido da janela. Pareceu-lhe que o observava pelo reflexo do vidro da janela.
Num repente o comboio travou violentamente e ela foi projectada na direcção dele, tentando amparar-se nas madeiras da janela. Ele soergueu-se e ela caiu-lhe nos braços, com as mãos contra o seu peito. Já em pé, continuou a abraça-la e a beijar-lhe suavemente o pescoço.
O comboio retomou a marcha lentamente, atingindo a velocidade habitual, mas eles continuaram em pé, abraçados, até à estação seguinte.
Sairam de mão dada.
O amor pode acontecer na primeira travagem.
Entrou uma jovem e sentou-se no único lugar vago, mesmo à sua frente. Fixou-a. Tentou ser discreto, mas não conseguiu. Apreciou-lhe as orelhas, os lábios, o traço do nariz, mas, principalmente, o pescoço.
O cabelo puxado para a nuca permitia ver o desenho do pescoço desde a parte posterior das orelhas, seguindo rosado, fino, firme, enxuto, alargando-se suavemente quando alcançava os ombros.
Quando desviou o olhar pareceu-lhe que ela o observou, interrogativa. Fixou-a de novo. Ela, de cabeça bem levantada, pescoço (sempre o pescoço!) nervoso e firme, olhava no sentido da janela. Pareceu-lhe que o observava pelo reflexo do vidro da janela.
Num repente o comboio travou violentamente e ela foi projectada na direcção dele, tentando amparar-se nas madeiras da janela. Ele soergueu-se e ela caiu-lhe nos braços, com as mãos contra o seu peito. Já em pé, continuou a abraça-la e a beijar-lhe suavemente o pescoço.
O comboio retomou a marcha lentamente, atingindo a velocidade habitual, mas eles continuaram em pé, abraçados, até à estação seguinte.
Sairam de mão dada.
O amor pode acontecer na primeira travagem.
1 de agosto de 2011
REVELAÇÃO
É nestes momentos
que damos conta
como a cidade é grande
como há nela espaço para loucura
de solidão e noite
de raiva e agressão
em recalcadas ternuras.
É nestes momentos
que damos conta
como a cidade é grande
negra e nocturna
diversa e densa
diversa e tensa.
que damos conta
como a cidade é grande
como há nela espaço para loucura
de solidão e noite
de raiva e agressão
em recalcadas ternuras.
É nestes momentos
que damos conta
como a cidade é grande
negra e nocturna
diversa e densa
diversa e tensa.
29 de julho de 2011
CITAÇÃO XXI
" A CORPO INTEIRO
Um silêncio dormente
a corpo inteiro
Com este odor a Verão
desencontrado
Esta chama, estes lábios
e este cheiro
dormindo entre os braços.
Mas primeiro:
Doce bebido de um leite
coalhado"
Maria Teresa Horta
«DESTINO»
QUETZAL EDITORES
Um silêncio dormente
a corpo inteiro
Com este odor a Verão
desencontrado
Esta chama, estes lábios
e este cheiro
dormindo entre os braços.
Mas primeiro:
Doce bebido de um leite
coalhado"
Maria Teresa Horta
«DESTINO»
QUETZAL EDITORES
CHUVA E NOITE
No espaço citadino abunda solidão
o bicho do cio rói o sexo dos humanos
no espaço do sábado previsível.
Dói esta chuva que cai.
As luzes rompem os pingos da chuva
há metafísicas pelo espaço
a noite arranha ao dobrar de cada esquina.
Dói esta noite que cai.
A noite cai na chuva que ilumina
a sombra dos cabelos o quente do regaço
a água não é água, é sumo de uva
no calor da intimidade apetecida.
A chuva já não dói
e a noite vai.
o bicho do cio rói o sexo dos humanos
no espaço do sábado previsível.
Dói esta chuva que cai.
As luzes rompem os pingos da chuva
há metafísicas pelo espaço
a noite arranha ao dobrar de cada esquina.
Dói esta noite que cai.
A noite cai na chuva que ilumina
a sombra dos cabelos o quente do regaço
a água não é água, é sumo de uva
no calor da intimidade apetecida.
A chuva já não dói
e a noite vai.
26 de julho de 2011
RELATÓRIO DE EMBOSCADA
Noite espessa
que se agarra às carnes
pesada densa
agarrada ao chão.
A alma dissolve-se na chuva
na frialdade da noite
disseca os ruídos da mata
calando os passos do coração.
A imaginação longe longe
e a guerra estúpida tão perto.
que se agarra às carnes
pesada densa
agarrada ao chão.
A alma dissolve-se na chuva
na frialdade da noite
disseca os ruídos da mata
calando os passos do coração.
A imaginação longe longe
e a guerra estúpida tão perto.
24 de julho de 2011
FAZENDO O CAMINHO
Àquele que começa
àquele que não vê
àquele que tropeça
no tropeço de um porquê
àquele que vai sair
à procura de razão
que o ajude a prosseguir
também vou chamar Irmão.
àquele que não vê
àquele que tropeça
no tropeço de um porquê
àquele que vai sair
à procura de razão
que o ajude a prosseguir
também vou chamar Irmão.
Subscrever:
Mensagens (Atom)