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7 de agosto de 2011

MUDAM-SE OS TEMPOS...

"Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
muda-se o ser, muda-se a confiança,
todo o mundo é composto de mudança
tomando sempre novas qualidades.

Cotinuamente vemos novidades
diferentes em tudo da esperança
(...)"

CAMÕES

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As coisas vêm mudando muito a Oriente.
E como estão mudando a Ocidente!

- Para quando a implosão da China?

5 de agosto de 2011

CIDADE GRANDE

A Cidade Grande é um arquipélago formado por ilhas de solidão.

(Pois sim, mas naquela ilha do norte - que não era de solidão - morreram quase cem, de "morte matada", sem culpas nem razão).

CITAÇÃO XXII (As decisões a tomar)

"(...)
A aceleração do momento faz-nos esquecer que as decisões urgentes dificilmente são grandes decisões. Discutimos o projecto da casa ou apenas a cor dos azulejos da cozinha? Estamos a assistir a uma destruição ou a uma construção? E discutimos com quem? Com bombeiros ou com construtores civis? Discutimos entre nós e com outros ou discutimos entre nós enquanto outros discutem sobre nós? Discutimos entre nós a cor dos azulejos enquanto outros discutem o projecto da nossa casa? E a casa será habitável?
(...)"

Boaventura de Sousa Santos
«PORTUGAL
Ensaio contra a autoflagelação»
(Prefácio)
ALMEDINA - Coimbra
Maio de 2011

3 de agosto de 2011

ECONOMIA

A eco...no...mia? Não mia?! Mia, mia... e faz miar muito!!!

(Basta estarmos um pouco atentos e ouviremos os variadíssimos "miaus" - nacionais, europeus e intercontinentais).

AMOR À PRIMEIRA... TRAVAGEM

Ele seguia sentado, ocupando um lugar do Metro, com as costas no sentido do movimento. Olhar vago, pensando em tudo e em nada.
Entrou uma jovem e sentou-se no único lugar vago, mesmo à sua frente. Fixou-a. Tentou ser discreto, mas não conseguiu. Apreciou-lhe as orelhas, os lábios, o traço do nariz, mas, principalmente, o pescoço.
O cabelo puxado para a nuca permitia ver o desenho do pescoço desde a parte posterior das orelhas, seguindo rosado, fino, firme, enxuto, alargando-se suavemente quando alcançava os ombros.
Quando desviou o olhar pareceu-lhe que ela o observou, interrogativa. Fixou-a de novo. Ela, de cabeça bem levantada, pescoço (sempre o pescoço!) nervoso e firme, olhava no sentido da janela. Pareceu-lhe que o observava pelo reflexo do vidro da janela.

Num repente o comboio travou violentamente e ela foi projectada na direcção dele, tentando amparar-se nas madeiras da janela. Ele soergueu-se e ela caiu-lhe nos braços, com as mãos contra o seu peito. Já em pé, continuou a abraça-la e a beijar-lhe suavemente o pescoço.
O comboio retomou a marcha lentamente, atingindo a velocidade habitual, mas eles continuaram em pé, abraçados, até à estação seguinte.
Sairam de mão dada.

O amor pode acontecer na primeira travagem.

1 de agosto de 2011

REVELAÇÃO

É nestes momentos
que damos conta
como a cidade é grande
como há nela espaço para loucura
de solidão e noite
de raiva e agressão
em recalcadas ternuras.

É nestes momentos
que damos conta
como a cidade é grande
negra e nocturna
diversa e densa
diversa e tensa.

29 de julho de 2011

CITAÇÃO XXI

" A CORPO INTEIRO



Um silêncio dormente
a corpo inteiro
Com este odor a Verão
desencontrado

Esta chama, estes lábios
e este cheiro
dormindo entre os braços.
Mas primeiro:

Doce bebido de um leite
coalhado"

Maria Teresa Horta
«DESTINO»
QUETZAL EDITORES

CHUVA E NOITE

No espaço citadino abunda solidão
o bicho do cio rói o sexo dos humanos
no espaço do sábado previsível.

Dói esta chuva que cai.

As luzes rompem os pingos da chuva
há metafísicas pelo espaço
a noite arranha ao dobrar de cada esquina.

Dói esta noite que cai.

A noite cai na chuva que ilumina
a sombra dos cabelos o quente do regaço
a água não é água, é sumo de uva
no calor da intimidade apetecida.

A chuva já não dói
e a noite vai.

26 de julho de 2011

RELATÓRIO DE EMBOSCADA

Noite espessa
que se agarra às carnes
pesada densa
agarrada ao chão.

A alma dissolve-se na chuva
na frialdade da noite
disseca os ruídos da mata
calando os passos do coração.

A imaginação longe longe
e a guerra estúpida tão perto.

24 de julho de 2011

FAZENDO O CAMINHO

Àquele que começa
àquele que não vê
àquele que tropeça
no tropeço de um porquê
àquele que vai sair
à procura de razão
que o ajude a prosseguir
também vou chamar Irmão.