Pesquisar neste blogue

9 de outubro de 2011

DESEMPREGADO

- Um homem sente-se encurralado entre o tempo a mais, sem fazer nada e a falta de dinheiro. Parece que os dias nunca mais acabam. E as noites ainda são piores.
Um homem pensa, pensa de mais e o tempo é muito. Nunca tinha pensado tanto e com tanto tempo para pensar. E pensa-se coisas que... passam assim pela cabeça de um homem...
As portas não são portas que se abrem. Só se sabem fechar. Pensa um homem nas portas a que ainda possa ir bater e na vergonha de ver as portas que se fecham.
E há tanto tempo para se viver, se... se viver...
Antigamente, trabalhando, sonhava com Domingos de sol e de futebol. Agora, o pior são os Domingos de sol. Só se sai, a maior parte das vezes, à noite ou em dias de chuva. Falta a vontade de fazer a barba e de lavar a cara.
As mãos a mexer, a mexer e a remexer os dedos. As mãos a fazer nada.
O que mais custa é um homem ficar a olhar para as mãos. Assim...

8 de outubro de 2011

EXECUTIVOS

Não há muitos anos, os gestores eram fotografados à sua secretária (a mesa, não a senhora), com a caneta na mão, tendo a ponta (da caneta) apoiada sobre uma folha de papel, encarando, com ar sério a objectiva. Parecia haver a preocupação de transmitir a ideia de que sabiam escrever.
Afastavam-se, assim, as dúvidas em todos os espíritos, principalmente dos accionistas mais cépticos. Ou porque haveria, ainda, quem se recordasse do antigo Regimento de Disciplina Militar, que determinava que os sargentos deviam saber ler e escrever porque os senhores oficiais poderiam não saber.

Agora, passados alguns (bastantes) anos, a postura é outra. Os gestores são fotografados de pé, com os braços cruzados no peito, encarando a objectiva de lado. Há algumas variações no semblante - uns sorriem com aspecto simpático, outros riem abertamente, outros, ainda, estão de sobrolho carregado. Há, também, quem, mantendo os braços cruzados, levante o peito, com ar altaneiro, agressivo, desafiando (talvez) a concorrência.
Esta nova atitude, em pé e de braços cruzados, dá-nos uma imagem mais real do que deve ser um gestor de empresa, de empresas ou de empresas em grupo.
O ramo de actividade poderá, também, influenciar a atitude... Assim, os que riem, serão, talvez, gestores de empresas de entretenimento, organização de eventos ou actividades afins; ou estarão satisfeitíssimos com a sua realização pessoal. Os de sobrolho carregado poderão ser gestores de empresas de segurança ou de uma qualquer empresa que tenha tido maus resultados; ou, talvez, estejam tentando transmitir para os senhores accionistas uma imagem de competência e responsabilidade.
Claro que poderemos, também, imaginar que todas aquelas fisionomias têm apenas e só a ver com o tipo comportamental do fotografado ou do seu estado de espírito naquele momento; ou que serão directamente proporcionais ao grau de importância que se atribuem a si mesmos.

Certo é que ser fotografado em pé transmite uma imagem de maior dinamismo, acção, do que ser fotografado sentado e armado de uma simples caneta (mesmo que seja de ouro). A não ser que imaginemos que, cada penada no papel, é mais um acto executivo.

De notar, também, que a postura erecta e de braços cruzados, esteja sorridente ou carrancudo, tem um pormenor que lhes é comum - a manga do casaco e o punho da camisa estão suficientemente subidos para permitir que se veja o relógio de boa marca, afivelado a um dos punhos.

É claro que é necessário mediatizar as empresas e... os seus gestores executivos. É desejável que sejam publicitados para que seja notória a actividade e a existência da empresa. Publicitar só a empresa, os seus produtos ou serviços, é coisa do antigamente. Os gestores querem-se no mercado, no espaço público, na comunicação social, nas bocas-do-mundo.

Em futuro próximo veremos os gestores da nossa praça e de outras praças vizinhas e afins, desfilarem pelas nossas ruas e avenidas, em passo enérgico e firme, olhando bem ao alto e em frente, como em marcha militar, uniformizados com fatos de bom corte e gravatas de seda de cores garridas, que sejam visíveis, pelo menos, a um quilómetro de distância.
À frente seguirão os "Chief Executive Officers" (que é a denominação que, em Portugal, é dada aos administradores-delegados e afins), em mangas de camisa, com elas arregaçadas até meio do braço (como convém a homens de acção), transmitindo um aspecto dinâmico, decidido e executivo. Atrás irão os outros gestores (mais ou menos executivos), todos marchando de cabeça erguida e todos gritando bem alto, a plenos pulmões:
- Nós somos bons, nós somos bons, NÓS SOMOS MUITA BONS!!!!

Tamanha grandiosidade imaginará (sempre!) os aplausos vindos das janelas e das varandas, ao longo das ruas e avenidas, que, para eles, serão como pétalas de flores lançadas sobre esses cérebros passantes, que, indiferentes, as irão pisando, pisando, pisando...

5 de outubro de 2011

E-BOOKS

De um jornal:

«O processo de introdução e divulgação em curso dos e-books em suporte digital adequado, contendo, inclusive, obras mais ou menos volumosas, faz lembrar os tempos iniciais do telemóvel. Durante muito tempo muita gente lhes resistiu. Agora toda agente tem um.»

Ora, a comparação não está correcta.
O telemóvel foi/é utilizado para transmissão de texto oral ou escrito não previamente definido, destina-se a resolver uma necessidade actual e sempre diversa, há transmissor e receptor em tempo real e, por outro lado, a origem e o destino desses textos são (quase sempre) diferentes. Nada disto acontece com os e-books.

Quanto aos e-books podem colocar-se diversas questões. Por exemplo:
- Que books serão introduzidos nos suportes digitais? Em que idiomas? Traduções ou originais?
- Os autores serão diversificados ou só aqueles que (por razões publicitárias ou outras) se prevê terão (maior) mercado?
- Que lugar haverá neles para autores iniciados e com talento (talento que poderá não estar, ainda, reconhecido)?
- Serão só destinados (exclusivamente) a obras de autores clássicos ou consagrados?
- Que oportunidades de publicação terão autores nacionais de países com uma dimensão idêntica a Portugal?

Em resumo:
A divulgação e a EXCLUSIVIDADE de literatura e-book levará à massificação, à monotonia e à morte da criatividade literária.

3 de outubro de 2011

INCOMPETÊNCIA

O multi-multi-multitrilionário e investidor Joseph Banks Corporations Banks, muribundo, olhou com desprezo o seu assistente espiritual (e consultor financeiro) e, a custo(quase-zero), disse-lhe:

- Você é um incompetente! Se me tivesse avisado que eu havia de morrer, eu teria investido tudo na via eterna.

29 de setembro de 2011

O FIM DO MUNDO

- Nunca vi tanto desespero como agora. É só desemprego, desemprego. Em todo o mundo. Não viste na televisão? Fecham fábricas todos os dias. É a fim do mundo que aí vem.
- Fim do mundo, o quê, ti Jaquim?!
- Ora, então vê lá. Nevou no Alentejo. Filhos matam os pais. Pais matam os filhos ou faltam ao respeito às filhas. Há inundações por toda a parte. Terramotos como nunca se viu. São os sinais!
- São os sinais de quê, ti Jaquim?
- De que vem aí a fim do mundo.
- Ó ti jaquim, vossemecê tem cada ideia. Fim do mundo...
- Está na Biblia Sagrada, rapaz. São os sinais. Alguma vez no tempo do meu pai ou do meu avô (que Deus os tenha) se viam cousas destas?
- Ora, isso é da poluição, dos fumos das fábricas e... dos carros. Isso vejo eu na televisão.
-Fumos? Quais fumos? É dos fumos que as pessoas se matam umas às outras? Pais, filhos, irmãos? E os terramotos...
- Ti Jaquim, vossemecê pensa demais. Qualquer dia ainda o vão levar daqui num colete-de-forças. Quem pensa demais dá em maluco. Como aquela em que vossemecê tem a mania de dizer que cantar as Janeiras é assim a modos de pedir esmola sem ter vergonha de pedir. Vossemecê tem cada ideia!
- Nã te rias, Zé, nã te atravesses com outra conversa. Ainda és muito novo. Alguma vez se viu uma coisa como aquilo na América dos aviões a arrebentarem com aquelas casas tão grandes? Ou como há dias aquela onda gigante que engoliu quase países inteiros?
- Ó ti Jaquim, então diga lá como vai acabar o mundo.
- Olha, da primeira vez foi com o dilúvio. Agora vai ser com tremores de terra, fogo, enxofre a arder, para purificar isto tudo. Para começar tudo outra vez, limpo de pecados. Assim Deus, Nosso Senhor, quer para bem da humanidade.
- Espero que não seja no meu tempo.
- Não sei. Só Deus sabe.
- Ao menos que seja quando eu já não puder com as botas, quando um homem chegar à poda raza.
- Não sei. Só Deus sabe. É a fim do mundo, é o que eu te digo.
- Vossemecê pensa muito, pensa demais. As pessoas passam por si e já nem lhe dão a salvação.
- Pois, diz-lhe que sim... Olha e ainda há-de vir um tempo em que o dinheiro não vale nada. Ninguém o vai querer.
- Depois, vossemecê também lê demais. Ou não? Isso tudo é que lhe faz essas fezes na cabeça.
- Leio demais? Vocês só lêem os jornais da bola. Quando lêem...
- Diga-me lá, ó ti Jaquim. É verdade que vossemecê lê o Livro de São Cipriano?
- Ó rapaz, isso são balelas. Essas cousas de negócios com o diabo são manias dessas velhas malucas. Eu quero andar sempre na companhia de Deus, Nosso Senhor.
- Tão malucas como as suas. Como agora essa do fim do mundo...
- Pois. Vai vendo e olhando e vais ver se dois e dois não são quatro. É tão certo como eu estar a ver-te com estes dois que a terra há-de comer. E depois é só dívidas, dívidas... e desgraças. Como é que se vai resolver isto tudo?
- Ó ti Jaquim, então inda agora disse que acaba tudo queimado e depois diz que vai morrer e ser enterrado...
- Vai ser depois de mim, mas não demora muito tempo. Já são muitos sinais.
- Olhe que isso é conversa que não leva a nada.
- Tu é que sabes...
- Até já nem o prior tem paciência para o aturar. É verdade ou não que ele já nem o quer ouvir em confissão?
- Eu não tenho nada para confessar. Ele é que não quer ouvir falar no que diz a Biblia Sagrada.
- Ou nas suas maluquices.
- Ai é? Maluquices? Então ouve lá isto que eu te vou ler. Da Biblia Sagrada. Isto aqui:
"E, tendo aberto o sexto selo, olhei e houve um grande tremor de terra e o sol tornou-se negro como um saco de cilício e a lua tornou-se como sangue; e as estrelas caíram sobre a terra, como quando uma figueira lança de si os figos verdes, abalada por um vento forte; e o céu retirou-se como um livro que se enrola e todos os montes..."
- Já chega, ti Jaquim.
- E isto aqui:
"E o primeiro anjo tocou a sua trombeta e houve granizo e fogo misturado com sangue e foram lançadas sobre a terra, que foi queimada na sua terça parte; queimou-se a terça parte das árvores e toda a erva verde foi queimada; e o segundo anjo tocou a trombeta e foi lançado no mar como se fosse um monte a arder em fogo e tornou-se em sangue a terça parte do mar; e morreu a terça parte..."
- Já chega, ti Jaquim. Já chega!
- Ah, vais-te embora? Vais ver, porque ainda és muito novo. É a fim do mundo que aí vem. Eu bem vos aviso, mas não querem crer.

27 de setembro de 2011

INDEPENDÊNCIA VI (e última)

Nada de novo há a dizer.
Já cansa!
O tema repete-se e é explicado(?), repete-se e... é repetido.
Venham as eleições de 9 de Outubro e (antes ou depois) que lhe seja entregue o "miminho da Troyka".
Não mais pendências da independência.

FINIS.

24 de setembro de 2011

INDEPENDÊNCIA V

Ontem o maior da Madeira voltou a insistir:

- "Deiam-nos" a independência!

Hoje disse que foi só uma força de expressão.

---

Afinal, senhores, em que ficamos?!

22 de setembro de 2011

A EXPLICAÇÃO

Interpelada pela repórter de um canal de TV sobre se havia algum problema na Madeira, uma mulher madeirense, localmente BEM informada, respondeu:

- Temos uma "deveda", mas a culpa é dos cont'nentais.


(NOTA: Dídida não reportada, que o maior do arquipélago reconheceu muito recentemente - há poucas horas - e depois das palavras transcritas acima, ser de 5.000 milhões de euros).

20 de setembro de 2011

CITAÇÃO XXVIII

"JURIS PRAECEPTA SUNT HAEC:
HONESTE VIVERE; ALTERUM NON LAEDERE; SUUM CUIQUE TRIBUERE."

Justiniano
«INSTITUTIONES"

(NOTA: Os preceitos acima podem ser re-encaminhados para a pessoa que entenderem, pois que a obra já caíu... no domínio público - e não irá afectar o... domínio privado de qualquer ilha ou ilhota).

18 de setembro de 2011

TEIAS

Cada aranha
a sua teia
outra teia outra manha
outro tipo de aranha
quando a força lhe esmorece
também se enleia
na teia que outra tece.