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2 de novembro de 2011

PARADOXO

Quem poderia imaginar, há um ou dois anos, que a forma mais democrática de decidir sobre um problema de um povo (que habita a terra onde a própria democracia nasceu) iria fazer abanar a Europa? (Pelo menos...)

1 de novembro de 2011

NOITE E PALAVRAS

Ao fechar a agenda
no fim de cada noite
se constata o consumir dos dias.

São as noites que fazem
o balanço do tempo
das horas inúteis
dos dias passados
a ausência dos rostos
o diluir das formas
a fuga das cores
a presença de insónias
o silêncio
e o regresso das palavras.

31 de outubro de 2011

BRUXARIAS

Não se entende porque razão os portugueses não correspondem aos apelos de padres e afins e de governantes e arredores para que haja:
- aumento da natalidade e
- aumento da poupança.

É perfeitamente incompreensível! (Só para eles...)

Talvez se consiga com umas BRUXARIAS (aproveitando o dia de hoje).

28 de outubro de 2011

DEFICIENTES CAPILARES

ASSEMBLEIA DA RES-PRIVADA

Em-vez-de-lei nº.0001/2011
de 28 de Outubro

A Assembleia de Res-Privada decreta, nos termos das suas competências, para valer como Em-vez-de-lei, o seguinte:

Verificando-se estarem a ser invocados diversos regimes de excepção no sentido de se furtarem à aplicação de medidas constantes no Orçamento Para-familiar de 2012, entendeu esta Assembleia ser de elementar justiça legislar no sentido de ser reconhecido, também, um regime de excepção a alguns cidadãos portadores de capillaris deminutio.

Artigo 1º.
1 – Aos funcionários públicos que sejam destituídos de, pelo menos, metade da sua estrutura capilar superior (ou seja, na cabeça), não serão retidos os subsídios de férias e de Natal.
2 – A prova da perda capilar, para os efeitos desta Em-vez-de-lei, será efectuada por comparação entre as fotografias constantes dos processos de admissão e as fotografias que os requerentes deverão apresentar juntamente com os seus requerimentos.

Artigo 2º.
O regime previsto no Artigo 1º. é aplicável aos reformados e pensionistas, com as necessárias adaptações.

Artigo 3º.
1 - Os recursos das decisões que venham a negar aos requerentes a não retenção prevista no Artigo 1º. serão apreciados por um representante desta Assembleia da Res-privada e por um barbeiro ou cabeleireiro designado pelo recorrente.
2 – Da decisão que venha a ser tomada nos termos do número anterior não haverá recurso.


Aprovada em 28 de Outubro de 2011.
Publique-se.

27 de outubro de 2011

FALARAM SOBRE OS FERIADOS...

... e da intenção de as "pontes" serem eliminadas.

ASSIM, em 2012, teremos que comemorar o "Dia 25 de Abril" (3ª. Feira) no dia 24 de Abril...com todos os equívocos (intencionais ou não) que daí possam advir.

MAS...
façam-nos o favor de deixar bem claro que, apesar de haver quem aprecie "hamburguers" e "hot-dogs", tanto o:
- "Saint Valentines' Day" (chamado "dia dos namorados") como o
- "Halloween" (chamado "dia das bruxas"),
NADA têm a ver connosco!!!

É que, pelo "andar da carruagem", em futuro próximo estaremos a comemorar também:
- o "Thanksgiving Day" e
- o "Independence Day".

26 de outubro de 2011

VINHOS

WINE talking and drinking is not only a way of appreciating, degusting and socializing. It is STYLE. (... and FINE business to the sellers).

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(Assim, dito em inglês, tem outro "charme").

25 de outubro de 2011

… CÍDIO

O empregado colocou na mesa a travessa fumegante com ovas cozidas em faustosa abundância, batatas, feijão verde e ovo.

O homem interrompeu o diálogo com a senhora ao seu lado direito, puxou a cadeira para mais próximo da mesa, colocou a ponta do guardanapo entalada entre o colarinho da camisa e o pescoço, agarrou nos talheres, olhou em redor e vociferou para cima da mesa, procurando ser ouvido por todos os presentes na sala:
- Ora vamos lá a acompanhar o camarada Adolfo, praticando mais este genocídio…
Ouviram-se gargalhadas em redor.

O homem em contraponto agarrou o copo cheio de vinho tinto para o atirar ao nariz do declarante, mas, em vez disso, partiu o copo entre os dedos e a palma da mão, sujando a toalha e fazendo saltar um ah! às senhoras sentadas na mesa.

O declarante de genocídio olhou-o, inquiridor, tentando perfurar-lhe as profundezas do cérebro. O outro olhava-o, também fixamente, enquanto sangue e vinho se misturavam na tolha da mesa. Levantou-se com um guardanapo enrolado à volta da mão. Caminhou para a saída e, já no hall, ficou oscilando entre tomar o caminho da casa de banho ou da porta da rua. Alguma coisa o fez voltar-se e viu atrás de si o devorador de ovas, parado, olhando-o com ar ameaçador. Voltou-lhe as costas. Ficou parado, cabeça erguida, fez o corpo rígido e soltou um sonoro traque. (Imediatamente pensou: - Foi personalizado, mas não foi o melhor argumento).

Encaminhou-se para a porta da rua e saiu.

23 de outubro de 2011

DEIXEM O MERCADO FUNCIONAR

Será que tem consciência de quantas chaves, combinações, segredos, códigos, etc…, usa no seu dia-a-dia e dos quais vive totalmente dependente?
Por que necessita de todas essas chaves e defesas? Porque tem medo. Sim, medo, cautela, receio, terror até. Que outras pessoas ou organizações possam invadir os seus bens, o seu espaço. E, então, bloqueia os acessos. Podem ser valores vários que quer proteger, incluido conhecimentos que não quer ver expostos ou ao alcance de outros. Principalmente matéria de carácter comercial ou industrial.

O seu concorrente, próximo o afastado, usa, também, códigos segredos, chaves, combinações, talvez mais eficazes que aqueles que você tem. Pelas mesmas razões – para se defender dos concorrentes. Você incluído. E o outro, o outro, o outro do outro e os outros dos outros também.
Claro que há quem queira entrar nos espaços e conhecimentos que você vem protegendo para, pura e simplesmente, se divertirem com as suas tentativas de defesa, provocando ou não danos. Para estes, como é óbvio, também lhe são necessárias essas mesmas defesas.

Há, também, aqueles cuja actividade é, como especialistas nessa arte de impedir, afastar, defender, bloquear, ocultar, barrar, criarem novas chaves para que você e outros as comprem, continuando, assim, a melhorar os meios de impedir o acesso a outros. Mas que, lhe permitam, também, quebrar as chaves e segredos de outros que consigo concorrem…
Esses especialistas também concorrem entre si procurando meios para destruírem as estruturas de defesa criadas pelos seus próprios concorrentes, com o objectivo de destruírem organizações que podem ter levado muitos, muitos anos a montar.

MAS,
Não falando de chaves e segredos, alguns intervenientes nos mercados procuram usar uma “criatividade” contínua e uma “agressividade” constante, sem princípios, lutando por quotas de vendas que sonham vir a atingir os cem por cento, empurrando todos os seus concorrentes para fora do seu campo de actividade comum – para fora do seu mercado. Tudo em nome da livre concorrência.
Qualquer intervenção do Estado, com boas intenções, no sentido de corrigir excessos ou, até, de perseguir matéria criminal, não é (na opinião deles) boa… para o (deus) Mercado.

22 de outubro de 2011

VINGANÇA

I

Porque vieste
apetece-me ser cínico
queimar borboletas
queimar flores
apagar estrelas
tapar o sol
dizer que o amor é uma questão
de mais ou menos fricção.

II

Falas de auto-suficiência
e aí sinto a angústia de o homem não ser deus;
falas, falas e tens a aparência
do cansaço de um riacho correndo com indolência.
Falas a voz da auto-suficiência
hora a hora vivida
com raiva? medo? calma?
Falas como uma deusa discorrendo
sobre o custo de vida ou a imortalidade da alma.

19 de outubro de 2011

O HOMEM QUE TEM UMA LISTA EM EXCEL

O homem tinha elaborado, com a colaboração de alguns amigos, uma lista de clientes, simpatizantes, indiferentes, concorrentes, amigos, inimigos, conhecidos e desconhecidos. Assim foram coligindo nomes, telefones, moradas. Então o homem acrescentou-lhes profissões, ligações familiares e políticas, gostos, desgostos, preferências, fobias e tudo aquilo que lhe pareceu poderia ser útil para investigação profunda de cada uma das pessoas.

Quando adquiriu alguns conhecimentos informáticos entendeu que seria útil, prático, aconselhável colocar toda essa informação em EXCEL.
A partir daí toda a informação que recolhia passou a ser dele, só dele e de mais ninguém.
Agora só ele a pode usar, alterar, reduzir, aumentar. Defende-a de todos e contra todas as tentativas de intromissão e usa todos antivírus conhecidos ou imaginados, incluindo os que estão, ainda, em experiência.

MAS…
Ninguém adivinha, imagina ou sonha que o homem planeia manipular, controlar, dominar o mundo (!) usando a sua própria e exclusiva base de dados EXCEL.