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21 de fevereiro de 2018

4 de fevereiro de 2018

PARÁBOLA DOS DEDOS DAS MÃOS




Estavam os dedos das mãos em conversa animada, quando o indicador da mão direita, a propósito de coisa nenhuma, se empinou todo, apontou o polegar da mão esquerda e, depois, fazendo um esforço de contorcionista, apontou, também, o polegar da sua própria mão, disse:
- Se não fossem estes dois, nós tínhamos uma vida muito mais sossegada. Por causa deles é que nós trabalhamos tanto.
- Ora essa! - foi a reacção imediata do polegar direito.
- Pois! Vocês, os polegares, sem nós não servem para nada. Nada! Ficavam sem ocupação. E sozinhos também não fazem coisa nenhuma. Mas como vocês estão aí, obrigam os outros a fazer esforços.
- Sem nós o que é que vocês faziam? - insistiu o polegar direito.
- Pouco. Mas era mais que suficiente. Era um descanso. Eu, por mim, limitava-me a apontar. Aqui o meu vizinho do lado direito fazia aquelas coisas que talvez não sejam bonitas, mas aliviam muito; o outro a seguir segurava os anéis e o pequenino coçava os ouvidos. Era um descanso de vida.
- Então e nós, os polegares, não servimos para nada?
- Sozinhos, para nada. Só sabem fazer oposição e obrigar os outros a trabalhar. É demais!

31 de janeiro de 2018

A "DITADURA" DOS CICLISTAS



Os ciclistas passaram a ter:
- pistas próprias e exclusivas para se deslocarem e
- ruas com prioridade e com limitação de velocidade para veículos automóveis que nelas (também) circulem.

São aplicadas coimas a quem não respeite as regras dessas vias.
______

Ora, se observarmos TODOS os movimentos ciclistas pela cidade, importa perguntar qual deverá ser a coima aplicada aos ciclistas que:
- circulem em passadeiras para peões (pedalando) ou que
- circulem nos passeios para peões (pedalando).

No caso de circulação ciclista em passeios para peões (pedalando), haverá agravamento da coima quando o ciclista circule a uma velocidade superior à aconselhada pelo bom senso, atendendo às crianças e aos idosos que utilizam esses passeios?

29 de janeiro de 2018

TRAGÉDIA COM LARANJA




A laranja (pensando): - Eu sou tão boa e ele não me quer comer.
Ele (pensando, também): - Que laranja tão boa. Tem que ser para sobremesa de um prato especial.

Era uma laranja grande, brilhante, túrgida, a cheirar intensamente a casca e a sumo.
Ele aguardava, aguardava o tal prato especial. E ia comendo outras laranjas.

A laranja, por raiva ou ciúme, como não podia partir por falta de meios de locomoção, decidiu suicidar-se ou, mais correctamente, apodrecer. E apodreceu.

(Não consta que ele tenha manifestado quaisquer sentimentos).

27 de janeiro de 2018

O TEMPO A ROUBAR TEMPO AO TEMPO



- Você sabe? Tem dias em que uma manhã ocupa o dia todo. Um homem enreda-se a fazer piqueninices, ocupa o tempo todo e chega o fim do dia e pergunta: O que é que eu fiz hoje?

- Pois. E no fim, é sempre "até amanhã, até amanhã". Quantos "até amanhã" a gente vai poder dizer mais, até nunca mais poder dizer "até amanhã"?

25 de janeiro de 2018

EXPORTAR, POIS!



- Ei boy, come on! Make love to me...
- No. You live here, in Portugal. Só faço amor para exportação.

23 de janeiro de 2018

DESPORTO (?)




Devemos agradecer aos treinadores de futebol o facto de, no final de cada jogo, nos explicarem o que se passou dentro de campo, porque se o não fizessem (apesar de termos visto todo o jogo) não entenderíamos absolutamente nada daquilo que vimos.

20 de janeiro de 2018

PARÁBOLA DA CASA DE BANHO



Ela tinha acabado de sair, mas as luzes iluminavam, ainda, a casa de banho. Ouviu-se o espelho falar:
- Vocês viram como a Senhora se mira e remira bem dentro de mim e se olha bem no meu interior, penteando-se, maquilhando-se, olhando o rosto tão cuidadosamente? Tudo, tudo através das profundezas do meu ser.

Logo que as luzes se apagaram e tudo se confundiu na escuridão, o sensor de abertura das luzes, com riso trocista, respondeu-lhe assim:
- E agora? Não seja eu a acender as luzes e as profundezas do teu ser e não passas de um vidro no escuro.
- E a luz do dia? Não há luz do dia?
- E à noite? O que seria de ti se eu não existisse?

Seguiu-se um pouco de silêncio. Depois, ouviu-se a voz da banheira:
- Mas sou eu e os meus associados que mantemos a Senhora perfumada, com cabelos brilhantes e sedosos.
- Pois, pois! Mas sou eu (eu!) que de entre todos vós, o que melhor lhe conhece as partes mais íntimas. (Pelo tom marialva, todos reconheceram o bidé).
Falou, então, o lençol de banho, com a inconfundível voz delico-doce:
- Ai! Não se esqueçam de mim, não se esqueçam de mim! Eu conheço-lhe o corpo todo... Todo.
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Quando a noite ia já longa, começou a ouvir-se um choro baixo, tão baixo quanto de onde ele vinha. E uma voz chorosa, quase inaudível:
- Todos me pisam, todos me pisam.
Noite dentro, ia repetindo:
- Todos me pisam. Sou de mármore rosa, de Carrara e ninguém dá por mim. E todos me pisam.

A sanita, que ouvira tudo (como habitualmente), apesar de estar em condomínio privado, com porta própria, acompanhada dos seus nuitos adereços, já cansada de o ouvir, berrou-lhe:
- CALA-TE! CALA-TE! A MIM TODOS ME CAGAM EM CIMA!

17 de janeiro de 2018

14 de janeiro de 2018